sexta-feira, agosto 25, 2006

Vida de carteirista

O Zé (vamos chamá-lo assim) era um tipo de Alfama para aí com os seus 17 anos, muito popular naquela zona. Considerava-se a ele mesmo um vivaço, um espertalhão a quem pouca gente tinha alguma coisa a ensinar. A escola nunca lhe despertou muito interesse. O seu tio, um tipo dos seus 40 anos, conhecido no bairro dele como o “Palmas”, era um carteirista de primeira categoria, o qual nos seus tempos livres aproveitava, também, para burlar o primeiro tótó que lhe aparecesse à frente. Via no seu sobrinho uma grande esperança na arte do carteirismo. Tanto que nunca usava muito dinheiro na carteira perto dele. O Zé aprendeu tudo com ele e o aluno superou o mestre. Ambicioso como era, e como a sua idade o permitia, sentiu a necessidade de ir mais além, i.e. de palmar ainda mais carteiras.

Um dia assistiu à entrevista de uma pessoa na televisão relacionada com a recessão económica e a necessidade de aumentar a carga fiscal para fazer face ao défice. A sua vida mudou nesse instante, decidiu tomar essa pessoa como modelo a seguir. Estudou muito e hoje é Ministro das Finanças, podendo desta forma meter a mão ao bolso de vários milhões de pessoas ao mesmo tempo.


Nota: lembramos que esta é uma obra de ficção e que qualquer semelhança entre a mesma e a realidade é pura coincidência. Pedimos desculpa se ofendemos essa respeitável classe dos carteiristas.

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